E começa a comédia...

Na saída do meu almoço ontem (cujos detalhes ainda irão ser relatados futuramente), em plena Paulista, começa a chover. O desespero bate: "Como é que eu vou chegar um PINTO MOLHADO no primeiro dia de serviço?!".
De repente, não mais que de repente, me aparece um vendedor ambulante com trilhões de sombrinhas na mão, de cores, tamanhos e formatos variados.
-Moça Bonita!Olha aqui, não pega chuva não, tem a sombrinha que você quiser aqui.
Aqui, sobra gentileza. Do camelô ao vendedor de jornal, do porteiro ao cara de terno que trabalha numa multinacional na Paulista. "Bom, (pensei) vou na mais simples, né?".
-Tá bom, moço...quanto é essa aqui?
- Ah, essa é cinco.
-E essa aqui?
-Ah, essa é dez!
-Mas moço, elas não são iguais??
O moço respira fundo, dá um sorriso de satisfação como quem diz: "Deixa eu enriquecer a cabeça dessa menina de conhecimento", e solta o verbo:
- Não, essa é especial. A moça já ouviu falar num fenômeno chamado "refletância"?
Gente....é aí que a história pára, Luísa afunda a cabeça no pescoço, bota a mão na boca pra disfarçar qualquer tipo de sorriso que poderia escapar e balança a cabeça (com MUITO MEDO DE SE ARREPENDER DEPOIS) num sinal negativo.
- Pois bem! Esta sombrinha aqui, ela é prateada. Você sabia que estamos no verão? Essa chuva vai passar uma hora e o sol vai vir. E essa parte prateada vai refletir o sol e te proteger do calor. Portanto você pode usar ela na hora que quiser, pra se proteger da chuva ou do sol.
Ora mais...um cara desse não devia ser um vendedor ambulante, veja bem. O cara devia ser um MAGNATA DAS SOMBRINHAS!!Fala sério que outro ambulante neste pais (e ousaria a dizer do mundo) enriqueceria sua tarde chuvosa com uma aula sobre refletância?! Só aqui, na cidade maravilhosa.
Não aguentei; tive que comprar a sombrinha de dez reais.
-E agora a senhorita vai querer a rosa ou a vermelha?
-Mas moço, não era prateada???
-Não, ela é, mas essa parte de fora tem um tecido leve, transparente, só pra dar uma cor mesmo. Leva a vermelha que combina com você.
E lá fui eu a caminho do trabalho com a minha sombrinha refletiva vermelha que se ressaltava na multidão pela cor chamativa, mas feliz. Porque afinal de contas, um futuro magnata das sombrinhas que me vendeu.
Vou guardar com carinho. Assim quem sabe quando o cara tiver rico, eu multiplico o preço em dez.
PS: É sim, tenho o péssimo hábito de ter esperanças nas pessoas. Eu torço pelo cara que fez meu dia mais divertido.

(Publicado em 6 de novembro de 2007, em São Paulo)

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