Areia ou pedras?
Não podia achar normal todos esses dias que acordava se sentindo meio...ao meio. Sabe? Pela metade. Protelava levantar da cama, quando levantava, procurava na geladeira e não achava. Depois ia no banheiro porque sabia que acharia pelo menos sua escova de dentes que lhe daria uma sensação um pouco mais agradável do que sentia, mas ainda assim insuficiente. Ia pela varanda, olhava os carros lá embaixo....parecia procurar, de novo, sem encontrar. Talvez lhe faltasse comida. Preparava o café, e quando ia sentar-se à mesa, percebia que lhe faltara dono para o prato defronte do seu. Mas estava cansada. Cansada porque não queria algo medíocre e pequeno como aquela vida que construíra...ou que a tinham dado. Ou meia-vida.
Do outro lado da cidade, ele, magoado acordava também. Vestia seu terno, nem tomava café. Somente escovava os dentes e chegava ao trabalho. Era quando ele acordava realmente...e lembrava que sentia-se pela metade. Depois de tanta mágoa, preferia passar mais tempo no trabalho que em casa, lembrando de todo amor que tivera e que fora desperdiçado. Pra quê ficar gastando tempo com isso? Mas ela ia ver....ah ia! Agora ele ia ser um grande homem, e ela ia ver que havia perdido. E naquele dia, deixou seu trabalho em busca de construir algo grande.
Ela encontrou com ele um dia numa livraria. Surpreendentemente os dois procuravam pelo mesmo livro. Trocaram idéias, se conheceram melhor. E aparentemente sentiam-se menos metade após alguns encontros daqueles. E passaram a construir algo. A cada metro do que iam construindo para ela era sempre uma vitória. Para ele era uma responsabilidade. Enquanto os olhos dela brilhavam cada vez mais, os dele brilhavam cada vez menos.
Um belo dia, simplesmente terminou. Com algo grande construído. A diferença; ela se sentia inteira, e ele se sentia despedaçado. O que ela construiu era de pedra, era sólido, era dela, era ela. O que ele construiu foi de areia, era frágil, era dele e era ele mesmo.
Motivos diferentes geram resultados diferentes; ela o deixou completa, ela não precisava mais de dono para o prato da frente. Ela o deixou porque queria mais. E ele por não querer mais, por não saber o que fazer com a dona do prato da frente. Ela ainda não era metade da mulher que gostaria de ser. E ele não era metade do homem que julgava ser.
Tempos depois ele percebeu que seus maus- relacionamentos o haviam quebrado pela metade tantas vezes que não lhe restavam pedaços suficientes para formar metade de um homem. Resolveu construir algo grande de novo...dessa vez pelos motivos certos. Dessa vez ia usar pedras.
(Publicado em 3 de novembro de 2008, em São Luís)
Do outro lado da cidade, ele, magoado acordava também. Vestia seu terno, nem tomava café. Somente escovava os dentes e chegava ao trabalho. Era quando ele acordava realmente...e lembrava que sentia-se pela metade. Depois de tanta mágoa, preferia passar mais tempo no trabalho que em casa, lembrando de todo amor que tivera e que fora desperdiçado. Pra quê ficar gastando tempo com isso? Mas ela ia ver....ah ia! Agora ele ia ser um grande homem, e ela ia ver que havia perdido. E naquele dia, deixou seu trabalho em busca de construir algo grande.
Ela encontrou com ele um dia numa livraria. Surpreendentemente os dois procuravam pelo mesmo livro. Trocaram idéias, se conheceram melhor. E aparentemente sentiam-se menos metade após alguns encontros daqueles. E passaram a construir algo. A cada metro do que iam construindo para ela era sempre uma vitória. Para ele era uma responsabilidade. Enquanto os olhos dela brilhavam cada vez mais, os dele brilhavam cada vez menos.
Um belo dia, simplesmente terminou. Com algo grande construído. A diferença; ela se sentia inteira, e ele se sentia despedaçado. O que ela construiu era de pedra, era sólido, era dela, era ela. O que ele construiu foi de areia, era frágil, era dele e era ele mesmo.
Motivos diferentes geram resultados diferentes; ela o deixou completa, ela não precisava mais de dono para o prato da frente. Ela o deixou porque queria mais. E ele por não querer mais, por não saber o que fazer com a dona do prato da frente. Ela ainda não era metade da mulher que gostaria de ser. E ele não era metade do homem que julgava ser.
Tempos depois ele percebeu que seus maus- relacionamentos o haviam quebrado pela metade tantas vezes que não lhe restavam pedaços suficientes para formar metade de um homem. Resolveu construir algo grande de novo...dessa vez pelos motivos certos. Dessa vez ia usar pedras.
(Publicado em 3 de novembro de 2008, em São Luís)
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