Do que realmente somos feitos
Interessante ver como cada um se define. Se perguntares ao vivo, sem dar tempo de pensar ou pesquisar algo com o qual nos identificamos, quem realmente somos, garanto-lhe que poucas pessoas responderiam sem pestanejar. Não atribuo isso ao fato de talvez não sabermos quem realmente somos. É sempre tempo de se descobrir e se redescobrir. Atribuo isso ao fato de a existência humana ser de uma complexidade maravilhosa e em constante transformação. Se alguém criou o Universo, algo em constante expansão e mutação, acredito que o ser - humano, criado por este mesmo alguém deva carregar dentro de si um universo tão maravilhoso quanto este em que vivemos.
Acontece que somos diferentes. Alguns felizes na maior parte do tempo, outros amargurados, outros apáticos, outros espertos, outros calmos...mas provavelmente isso não nos define de fato. Alguns responderiam talvez suas alturas, cor de cabelo, peso, cor do olho, algo que também não seria tão decisivo, já que o nosso universo envelhece e muda tudo isso quando menos se espera. Talvez encontrássemos algumas respostas de pessoas que se definem como pai ou mãe de alguém, filho ou filha de outros. Mas não são parentes ou que eles são que também nos definam também de fato o que somos.
Alguns poderiam dizer que somos um mosaico de pessoas e momentos que se ligam de forma contínua, porém desorganizada, com cores diversas, diversos cacos que formam um grande todo desorganizado mas ainda assim belo. Talvez a continuidade não seja tão verdade. Ciclos são partes inevitáveis de nossas vidas. A própria existência é um grande ciclo.
Nós não somos uma imagem de nós mesmos. Quem nós somos não é na verdade o que a nossa genética consegue definir. Na busca pela melhor definição do que somos nós, acredito por fim que na verdade, somos como um grande álbum de fotos aonde são registrados diversos momentos que vivemos direta ou indiretamente. E quanto mais momentos são registrados, mais pesado o álbum fica, mais difícil fica passar fotos por foto, mais completos parecemos, apesar de aparentemente termos infinitas páginas a serem completadas. Algumas folhas queremos passar mais rápido para não reviver alguns dos momentos, algumas gostaríamos de tirar do álbum para colocar num mural visto por todos. Algumas fotos, temos vontade de rasgar, mas o fato mesmo é que todos esses momentos bons ou ruins passam, mas não se apagam. Eles farão eternamente parte desse imenso álbum de coleções de espaços de tempo grandes ou pequenos que somos eu e você.
(Publicado em 19 de outubro de 2008, em São Luís)
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